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Fé na Vida e na Sociedade

  • projetoveritatisma
  • 18 de jan. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 27 de mai. de 2025

Neste artigo, queremos falar um pouco sobre a presença da Fé na vida e na sociedade.

E para falar sobre a fé, é preciso recordar aquilo que nos ensina a Carta aos Hebreus: “A fé é a garantia dos bens que se esperam, a prova das realidades que não se veem” (Hb 11, 1).

A fé diz respeito, portanto, a algo que já se possui embora não se veja. Diz respeito a uma certeza de se ter um bem mesmo que os sentidos não sejam capazes de acessá-lo. E esta certeza, de uma forma ou outra, afeta ou mesmo determina a vida daquele que crê. Ter fé implica necessariamente viver de uma maneira diferente de quem não tem fé.

Naturalmente, quando falamos de fé no âmbito do cristianismo, estamos falando da Fé enquanto adesão a Cristo, à Sua Pessoa e a Seus ensinamentos. Mais que isso, implica adesão à Salvação que ele nos trouxe por meio da Cruz.

A Fé em Cristo permite ao crente viver neste mundo de uma maneira muito particular. Por ela, se luta as batalhas da vida sabendo que “a guerra já está ganha”. A certeza de já possuir a Salvação garantida pelo Senhor, permite a ele lidar com os problemas sabendo que os “verdadeiros problemas”, isto é, aqueles que não poderia resolver já foram resolvidos, uma vez que na Cruz, Cristo venceu o demônio, o pecado e a morte.

A presença da Fé em Cristo na vida traz para ela um tipo único de esperança.

A maneira como aquele que tem Fé lida com as atividades do seu cotidiano, em sua casa, com sua família, com as contas que precisa pagar e os mais variados desafios domésticos reflete esta certeza da Salvação, esta alegria da vitória que Cristo alcançou: Nenhum problema que enfrenta em seu dia-dia-dia é realmente um problema, mas sim uma oportunidade para crescer na amizade com o Senhor e ao mesmo tempo crescer em seu próprio caminho de desenvolvimento e maturidade pessoal.

A certeza de que um Outro resolveu os problemas que não poderia resolver traz ao fiel um senso de realidade, uma “justa medida” daquilo que, de fato, precisa enfrentar.

Podemos estender esta reflexão para uma realidade mais ampla: A certeza da Salvação, por meio da Fé, também permite estabelecer um melhor relacionamento com as realidades próprias da vida em sociedade.

Não se pode esquecer que a existência da sociedade não seria possível se não tivéssemos a capacidade de “ter fé uns nos outros”. Se o ser humano não fosse capaz de confiar, ele não seria capaz de se relacionar, de estabelecer relacionamentos de qualquer tipo.

A vida em sociedade não seria possível, por exemplo, se não fôssemos capazes de acreditar que, quando entramos em um ônibus público, o motorista vai nos levar, de fato, para o lugar indicado ou que o produto que adquirimos no supermercado corresponde realmente àquilo que está escrito na embalagem.

Quanto maior o grau de confiança dentro da sociedade, maior a chance de ela prosperar e se desenvolver em favor do bem de todos.

Seguindo este mesmo raciocínio, podemos dizer que toda vez em que existe quebra desta confiança, seja em pequenas relações, quando uma pessoa deixa de cumprir um contrato em prejuízo da outra parte, ou em coisas maiores, quando uma empresa engana seus clientes ou mesmo quando o Poder Público age de maneira desonesta e injusta com a população que ele deveria servir, existe um processo de deterioração na sociedade, gerando medo e dúvida justamente a respeito desta confiança mútua necessária para que ela permaneça de pé.

Assim, quanto menor o grau de confiança dentro da sociedade, menor a chance de ela prosperar e se desenvolver.

Como foi dito acima, a fé possibilita ao crente uma maneira particular de cultivo da esperança que transforma seu modo de lidar com os problemas próprios da vida, e isso reverbera nas demais esferas de relacionamento: No mundo do trabalho, das trocas comerciais, no âmbito da cultura, dentro das relações entre instituições, públicas e privadas. Seja qual for o tipo, a Fé em Cristo permite estabelecer relações de confiança mútua em um grau superior.

Na medida em que, pela Fé, o ser humano tem sua vida transformada pelo encontro com o Amor e a Verdade, nasce dentro dele, um desejo, um anseio de construir e estabelecer relações com os outros que sejam verdadeiras e focadas no bem.

A presença da gratuidade do Amor de Cristo na vida do fiel faz com que ele queira estabelecer as relações das quais participa com base neste mesmo Amor.

Para o cristão, o critério garantidor da confiança mútua dentro de uma relação civil deixa de ser a preservação dos seus próprios interesses, a observância da mera civilidade ou mesmo a responsabilidade pessoal no cumprimento das leis para dar lugar à certeza de que o Amor e a Verdade em Cristo fazem com que ele compreenda que os outros são seus irmãos aos quais deve amar e servir em todas as relações, das mais simples até as mais complexas.

Assim, se o funcionamento da vida em sociedade depende do grau de confiança presente nas diversas relações, a certeza de que em Cristo somos todos irmãos fortalece estes vínculos de uma maneira única, pois traz a compreensão de que viver em sociedade é mais do que mera “questão de sobrevivência”. É uma oportunidade de a pessoa crescer e se desenvolver por meio do convívio com os outros nas diversas esferas e níveis de relacionamento, tendo como critério aquilo que Cristo nos ensinou com Sua própria vida.

Em Cristo, compreendemos que, por mais desafiante que possa ser, vale a pena viver em sociedade. Em outras palavras: a presença da Fé Cristã na sociedade permite que se tenha uma maior “fé na própria sociedade”.


 

 

 

 

 

 

 
 
 

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