Leão XIV e a importância da Fé para a Sociedade
- projetoveritatisma
- 27 de mai. de 2025
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Habemus Papam! No dia 08 de maio, no segundo dia do Conclave, os cardeais escolheram o Cardeal Norte-Americano Robert Francis Prevost, que se tornou o 267º papa, sucedendo o Papa Francisco, e ocupando a cátedra de São Pedro. O pontífice escolheu o nome de Leão XIV.
Ao escolher este nome, segundo as palavras do próprio Prevost, há uma alusão ao pontificado de Leão XIII, principalmente em função da famosa encíclica Rerum Novarum, que é considerada como um marco referencial da Doutrina Social da Igreja. A encíclica, publicada no contexto da Revolução Industrial no final do século 19, tratou, dentre outras coisas, dos grandes desafios envolvendo a situação precária dos trabalhadores da época, apontando perspectivas para o enfrentamento dos problemas sociais a partir do Evangelho, como um caminho superior às soluções propostas pelas ideologias, seja pelo comunismo, seja pelo pensamento liberal.
De acordo com Leão XIV, vivemos desafios similares àqueles que seu predecessor precisou enfrentar. Segundo o pontífice, nos tempos atuais, a Igreja deve, por meio de seu magistério social, “responder a outra revolução industrial e aos desenvolvimentos da inteligência artificial, que trazem novos desafios para a defesa da dignidade humana, da justiça e do trabalho” (Audiência aos membros do colégio cardinalício, 10/05/2025).
Assim, o papa inaugura seu pontificado chamando a atenção para a Doutrina Social da Igreja, despertando a curiosidade de grande parcela da sociedade que talvez nunca sequer tenha escutado este termo, e desta forma, chama a atenção para a relação da Fé com as questões sociais, econômicas, políticas etc., chama a atenção para a relação da Fé com a vida em sociedade.
Ao que parece, este será um aspecto que o papa pretende destacar de forma particular em seu pontificado, especialmente se considerarmos o teor de sua primeira homilia, na missa pro ecclesia, celebrada com os cardeais eleitores no dia seguinte à sua eleição, que normalmente é vista como uma espécie de “declaração de intenções” daquilo que pretende priorizar em seu governo à frente da Igreja.
Ao meditar a famosa passagem do evangelho em que Pedro reconhece Jesus como o Messias (Mt 16, 16), Leão XIV faz uma belíssima reflexão sobre a Fé, e aponta para os problemas atuais da sociedade que decorrem justamente da falta de fé, que “muitas vezes, traz consigo dramas como a perda do sentido da vida, o esquecimento da misericórdia, a violação – sob as mais dramáticas formas – da dignidade da pessoa, a crise da família e tantas outras feridas das quais nossa sociedade sofre, e não pouco” (Homilia da Santa Missa pro ecclesia, 09/05/2025).
Assim, logo no início de sua missão à frente da Igreja, o novo sucessor de Pedro aponta que a Fé não é um aspecto secundário da vida, ou uma realidade isolada de todas as outras realidades da vida civil, social, política, econômica e cultural.
Pelo contrário: A Fé é o elemento que dá sentido a todos os outros e que, uma vez integrada às demais realidades, as eleva e permite a construção de uma vida mais plena, equilibrada e cheia de sentido, voltada para os outros e não para si mesmo.
Assim, em sua primeira homilia, Leão XIV, cumprindo sua missão de “confirmar os irmãos”, nos ensina que é a Fé que permite que “a humanidade se torne plenamente humana”, uma vez que por ela, podemos conhecer Aquele que é o verdadeiro modelo de ser humano, Aquele que veio a este mundo nos ensinar o caminho da vida plena, que aponta para a Pátria Celeste, para a qual somos chamados a caminhar juntos, como o papa nos lembrou em sua primeira mensagem, onde um dia participaremos da própria Felicidade que existe no seio da Santíssima Trindade, mas que começa já aqui, na medida em que acolhemos o convite do Cristo para um modo de viver em que a Fé e as demais realidades da vida se integram em uma única e mesma vida.
Vida longa a Leão XIV!



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